O Centro de Acolhimento e Recuperação Animal

O objetivo principal da GARRA é o construir um Centro de Acolhimento e Recuperação, ou Santuário Animal, destinado prioritariamente às espécies de animais exóticas e selvagens autóctones irrecuperáveis (que não possam ser devolvidas à natureza).

Estas espécies são frequentemente apreendidas pelas autoridades nacionais, não havendo uma boa opção para o seu destino.

Saiba mais sobre o nosso projeto abaixo.

Porquê a necessidade de um Centro de Acolhimento e Recuperação para Animais Exóticos e Selvagens?

O objetivo de criar este Centro de Acolhimento e Recuperação para estes animais surge da necessidade de existir um local que possa acolher tanto animais exóticos como silvestres irrecuperáveis apreendidos pelas respetivas autoridades originários de situações de ilegalidade, a sofrer de maus tratos, ou negligenciados. Presentemente, em Portugal, apenas existem centros de recuperação para a fauna selvagem autóctone, não havendo nenhum local específico para albergar espécimes exóticos ou selvagens autóctones que não possam ser devolvidos ao seu habitat natural.

Este projeto pretende a curto prazo, dar uma resposta rápida aos casos emergentes de animais em situações críticas apreendidas pelas autoridades competentes, e a longo prazo, encontrar locais mais adequados, sejam eles em instituições nacionais ou internacionais, desde que cumpram os mesmos princípios e filosofia que a deste Centro de Acolhimento e Recuperação Animal.

Princípios do Centro de Acolhimento e Recuperação Animal

Princípios do Centro de Acolhimento e Recuperação Animal

A definição de Centro de Acolhimento e Recuperação ou Santuário Animal é um local onde animais provenientes de situações de ilegalidade, abandono, maus tratos ou negligência, são acolhidos de modo a serem protegidos até ao final das suas vidas. Nalguns casos, poderá ser um acolhimento temporário até que outro local mais indicado seja encontrado. O objetivo dos centros de recuperação e santuários é o de proporcionar um refúgio para os animais, oferecendo bons cuidados médicos e de bem estar para os mesmos. Um centro de recuperação ou santuário animal não é aberto ao público, na mesma forma que um jardim zoológico, ou seja, não é permitido o acesso ao público sem escolta para qualquer parte da instalação. Da mesma forma, impede qualquer atividade que possa colocar os animais numa situação de stress desnecessária.

Uma outra importante ação destas instituições, além de cuidar dos animais,é a de educar o público.

No presente projeto, intitulado Centro de Acolhimento e Recuperação Animal tem como objetivo providenciar condições de bem-estar e alojamento temporário e/ou definitivo a animais apreendidos, recolhidos, recuperados ou em fase final de recuperação que não possam ser devolvidos ao habitat natural, como é o exemplo de algumas espécies autóctones irrecuperáveis.

No caso de não haver soluções para a recolocação dos animais em outros locais apropriados, e caso o Centro de Acolhimento e Recuperação Animal possua condições de manutenção para o animal, este poderá ficar alojado definitivamente no mesmo. O Centro de Acolhimento e Recuperação Animal irá partilhar dos mesmos princípios acima descritos, onde os animais não poderão ser comprados,vendidos, negociados, nem utilizados para fins de testes em animais. Este Centro tem igualmente uma política de não reprodução, pois a finalidade não é a de aumentar a população de animais residentes, mas sim a de resgatar o máximo de animais que a capacidade física e financeira do Centro de Acolhimento e Recuperação Animal possa oferecer. Pretende-se também que os animais residentes do Centro de Acolhimento e Recuperação Animal tenham a oportunidade de desenvolver e demonstrar o comportamento típico da espécie da forma mais natural possível, vivendo num ambiente protegido.

Neste momento, em Portugal, apenas existem centros de recuperação da fauna silvestre autóctone, tornando-se assim urgente e imperativo a abertura de um centro de acolhimento e recuperação animal que possa acolher as espécies exóticas que carecem de um local de acolhimento próprio.

Objetivos

Desta forma os objetivos principais do Centro de Acolhimento e Recuperação Animal são:


1) Oferecer um local de quarentena para todos os animais que necessitem de resgate imediato, ou seja, que necessitem de ser resgatados rapidamente dos proprietários que os detêm ilegalmente, ou que de alguma forma sofrem de abusos e negligência humana. Este será também um local para avaliar a saúde dos indivíduos antes de os juntar a outros num local de carácter mais definitivo.Mais tarde, alguns destes indivíduos poderão ser realojados noutros centros de recuperação ou santuários, desde que os princípios sejam idênticos aos do Centro de Acolhimento e Recuperação Animal.


2) Oferecer espaços permanentes para as espécies residentes, ou em período de transição para outros locais mais apropriados (após período de quarentena). Estes espaços/recintos deverão apresentar as dimensões necessárias para que os indivíduos possam exercer o reportório comportamental natural, sendo complementados com enriquecimento ambiental adaptado às espécies.


3) Desenvolver ações de formação e educação ambiental sobre várias temáticas tais como biologia da conservação, problemática do tráfico de espécies, bem-estar animal, etc. Pretende-se igualmente abrir a possibilidade para a investigação científica, nomeadamente no apoio a teses de cursos,mestrados e outros projetos de estudantes nacionais ou internacionais.

Situação atual das espécies

Exóticas

Neste momento, as espécies exóticas apreendidas têm dois destinos, ou são alocadas em jardins zoológicos e/ou parques biológicos, ou permanecem com a pessoa que o adquiriu, na condição de fiel depositário. Ou seja, por não existir um local adequado onde colocar estes animais, estes permaneçam na posse, embora ilegal, do indivíduo que o adquiriu. Desta forma, não só estes animais continuam por estar em situações desadequadas às suas necessidades,como se mantém na ilegalidade, sem que as entidades consigam encontrar uma solução viável. Neste momento, calcula-se que mais de meia centena de pequenos primatas e mais de uma vintena de grandes felinos estejam numa situação emergente de resgate.


Silvestres autóctones irrecuperáveis

Os centros de recuperação em Portugal são locais aptos para receber, prestar primeiros socorros e manter animais por um determinado período de tempo, com o fim de recuperarem de danos físicos e comportamentais para serem devolvidos o mais rapidamente possível, ao seu habitat natural. No caso de serem animais irrecuperáveis, e não podendo permanecer no centro de recuperação, são frequentemente recolocados em parques e jardins zoológicos, ou em última instância, eutanasiados. Desta forma surge a necessidade de haver um espaço, com as características do Centro de Acolhimento e Recuperação Animal, que receba e aloje permanentemente estes animais, que embora irrecuperáveis na natureza podem ter qualidade de vida em cativeiro, evitando assim a eutanásia. É também de referir que existem bastantes apreensões por cativeiro ilegal de animais silvestres autóctones, sendo a domesticação frequentemente um impedimento para uma reintrodução no meio natural. Por exemplo, o Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Silvestres (CERVAS) transferiu cerca de 30 animais para outros locais entre 2008 e 2013, enquanto que o Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens (RIAS) transferiu cerca de 14 animais entre 2009 e 2013 (dados retirados dos relatórios de atividade do CERVAS e RIAS). No entanto as razões de transferência ou de eutanásia para cada caso são desconhecidas. Não se sabe para onde os animais são transferidos nem as razões que levam à eutanásia, embora o mais provável é que a maioria se deva à má condição física do animal, encontrando-se este em sofrimento e sem possível recuperação. No entanto seria interessante saber quantos animais foram eutanasiados por não existir um centro de recuperação ou santuário adequado para o animal viver em cativeiro até ao final da sua vida.

Procedimento do Centro de Acolhimento e Recuperação Animal face ao destino dos animais reabilitados no santuário animal

Exóticas

Quarentena e acolhimento temporário de espécies exóticas provenientes de várias situações, com o intuito de encontrar uma instituição de acolhimento final que reúna melhores condições para a espécie, e cuja filosofia seja compatível com a do Centro de Acolhimento e Recuperação Animal. Durante o processo de acolhimento poderá ser necessário proceder à recuperação física e comportamental do animal ficando a sua total recuperação a nosso cargo.


Selvagens autóctones irrecuperáveis

No caso das espécies selvagens autóctones sem hipótese de integração no seu habitat natural, mas que tenham capacidade para viver com qualidade de vida, propõem-se que o destino final destes animais seja o deste centro de acolhimento e recuperação, evitando assim o processo de eutanásia. Note-se que os centros de recuperação da fauna selvagem em Portugal não têm como objetivo a manutenção permanente de indivíduos irrecuperáveis. Por exemplo, os animais apreendidos em cativeiro ilegal e que apresentam elevada domesticação dificilmente conseguirão adquirir comportamentos de caça, além de não evitarem o contacto com humanos, ficando assim mais desprotegidos. Outro caso são os dos animais com integridade física comprometida para uma vida selvagem, mas que consigam viver em cativeiro, desde que, com qualidade vida.

Terreno

A GARRA está neste momento à procura de terrenos para implementar o projeto!